
Por VEJA — dados da pesquisa AtlasIntel‑Bloomberg de 25 de março de 2026
A pesquisa AtlasIntel‑Bloomberg divulgada nesta quinta‑feira mostra o senador Flávio Bolsonaro à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário de segundo turno das eleições de 2026. Segundo os números, Bolsonaro aparece com 47,6% das intenções de voto, contra 46,6% de Lula, caracterizando um empate técnico, mas com vantagem numérica para o candidato da direita.
Nos cenários de primeiro turno, Lula continua liderando as intenções de voto — reflexo de sua permanência no poder — mas a disputa segue polarizada. A pesquisa indica que a capacidade de Lula de se manter competitivo é grande, apesar da forte reação da oposição.
Flávio Bolsonaro ocupa essa posição mesmo não sendo o candidato dos sonhos para grande parte da direita e não sendo unanimidade entre os conservadores. Muitos eleitores que tradicionalmente se posicionam à direita veem nele uma opção menos temível diante da possibilidade de continuidade de um projeto político associado ao atual governo petista.
Esse movimento não nasce apenas da preferência por Bolsonaro, mas também de um medo crescente de que o governo Lula continue sem mudanças estruturais profundas, em um contexto econômico mais desafiador do que nos ciclos de crescimento anteriores.
Lula, que voltou ao Palácio do Planalto após as eleições de 2022, busca a reeleição em 2026 e pode permanecer no poder por mais quatro anos — algo que muitos eleitores associam a um aprofundamento de práticas políticas que consideram problemáticas.
Críticos apontam que, durante os governos anteriores de Lula (os chamados “Lula 2 e 3”), ocorreram escândalos de corrupção de grande repercussão, e agora tais denúncias voltam ao centro do debate político. A percepção de que a continuidade do projeto petista poderia repetir padrões vistos no passado — sem o “boom” das commodities que impulsionou a economia brasileira anteriormente — gera apreensão na população. A falta de inovação econômica robusta e a possibilidade de maior carga de impostos sobre os trabalhadores também alimentam a preocupação entre eleitores que veem Flávio Bolsonaro como um mal menor nesta disputa.
Dois grandes escândalos de corrupção têm sido amplamente noticiados e debatidos no Brasil nos últimos meses, influenciando a visão de parte do eleitorado:
O caso Banco Master tornou‑se um dos maiores escândalos financeiros recentes no país. A instituição foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central após investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apontou fraudes bancárias de grande escala, lavagem de dinheiro e suposto favorecimento de agentes internos. O principal alvo, o banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso e sua situação segue sob investigação, com quebra de sigilos e possibilidade de delação premiada que pode revelar conexões com autoridades e políticos influentes no Brasil. O episódio envolve suspeitas de fraudes em operações financeiras com milhares de investidores e pode ter impacto de bilhões de reais no sistema financeiro nacional.
Esse caso também envolve investigações sobre empréstimos consignados feitos de forma irregular a aposentados e pensionistas, com contratos considerados “fantasmas” e sem autorização, o que trouxe à tona críticas sobre a proteção dos direitos de milhões de beneficiários.
Outro escândalo que ganhou destaque foi o de fraudes ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos ilegítimos e operações de crédito consignado que teriam tirado bilhões de reais de aposentadorias e pensões. A investigação por meio de uma CPMI no Congresso revelou que mais de R$ 6,5 bilhões podem ter sido desviados de benefícios que deveriam garantir a subsistência de aposentados — muitos idosos e vulneráveis.
Esses casos não dizem respeito apenas a práticas isoladas, mas têm sido usados por opositores para criticar a gestão da máquina pública e a fiscalização exercida pelo governo — mesmo com autoridades afirmando que as investigações foram aprofundadas e estão sendo combatidas por órgãos de controle e investigação federal.
Para setores do eleitorado, tanto o escândalo do Banco Master quanto as fraudes envolvendo o INSS reforçam a ideia de que problemas estruturais de corrupção e falta de transparência continuam afetando a política brasileira, independentemente do espectro ideológico do governo. Parte dos eleitores que historicamente se opõe à continuidade do projeto petista entende que Flávio Bolsonaro representa, neste momento, um caminho para responder a esse sentimento de insatisfação e insegurança.
Mesmo assim, muitos analistas políticos observam que essa movimentação não necessariamente se dá por uma preferência clara por Bolsonaro, mas por uma hesitação em relação à continuidade do status quo e uma resposta emocional ao medo de repetições de práticas que muitos consideram prejudiciais ao país.